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OpenClaw

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
OpenClaw
DesenvolvedorPeter Steinberger
Lançamento inicialNovembro de 2025
Lançamento estável
2026.2.23[1] / 24 de fevereiro de 2026
Repositório
Sistema
operacional
Linux, macOS, Windows
LicençaLicença MIT
Websitehttps://openclaw.ai

OpenClaw (anteriormente denominado Clawdbot e Moltbot) é um agente de inteligência artificial autônomo, livre e de código aberto, desenvolvido pelo programador austríaco Peter Steinberger. O software permite que usuários criem um agente pessoal persistente, capaz de executar tarefas por meio de modelos de linguagem grandes (LLMs) e que utiliza plataformas de mensagens como principal interface de interação.[2]

O projeto ganhou notoriedade em fins de janeiro de 2026, impulsionado por sua natureza de código aberto e pela popularidade viral da plataforma Moltbook.[3] Em 14 de fevereiro de 2026, Steinberger anunciou que ingressaria na OpenAI para trabalhar na próxima geração de agentes pessoais, transferindo a gestão do projeto para uma fundação de código aberto independente.[4] Na prática, o aspecto mais inovador do OpenClaw, especialmente no contexto do Moltbook, reside na transformação radical de modelos de linguagem (LLMs) de sistemas reativos para agentes autônomos proativos, rompendo o paradigma antropocêntrico tradicional da IA. A arquitetura do OpenClaw adota um design headless (sem interface gráfica direta) e API-first, com o núcleo do sistema estruturado em serviços RESTful que priorizam a integração programática via payloads JSON[5].

História

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O OpenClaw tem origem em um projeto pessoal de Peter Steinberger criado em novembro de 2025, chamado Clawd (atualmente denominado Molty). Trata-se de um assistente de WhatsApp que Steinberger desenvolveu para uso próprio, capaz de gerenciar sua caixa de entrada, reservar restaurantes e controlar dispositivos domésticos inteligentes por meio de mensagens de texto. O nome foi uma referência ao chatbot Claude, da Anthropic.[6]

Ao tornar o projeto público no GitHub sob o nome Clawdbot, Steinberger descreveu a ferramenta como "a IA que realmente faz coisas". Tratava-se do 44º projeto de inteligência artificial que desenvolvia desde 2009.[6]

Renomeações e golpe de criptomoeda

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Em 27 de janeiro de 2026, a equipe jurídica da Anthropic enviou uma notificação de violação de marca registrada, alegando que "Clawdbot" era semelhante demais a "Claude". Steinberger renomeou imediatamente o projeto para Moltbot — em alusão ao processo biológico de muda de casca (molting) dos crustáceos. Durante os poucos segundos em que o antigo nome de usuário no GitHub ficou disponível, golpistas se apoderaram da conta, distribuíram malware a partir de seu repositório, sequestraram seus pacotes npm e lançaram um token fraudulento que chegou brevemente a US$ 16 milhões de capitalização de mercado. "Estava perto de chorar. Tudo está uma merda", afirmou Steinberger.[7]

A segunda renomeação, para OpenClaw, três dias depois, exigiu coordenação simultânea de alterações em múltiplas plataformas para evitar nova ação de golpistas. Steinberger chegou a consultar a OpenAI para garantir que não haveria conflito de marca com o novo nome.[8]

Crescimento viral

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A popularidade do projeto disparou com o lançamento do Moltbook, uma plataforma social criada por Matt Schlicht exclusivamente para agentes de IA, em 28 de janeiro de 2026. O repositório do OpenClaw no GitHub acumulou mais de 60 000 estrelas em 72 horas. Em meados de fevereiro de 2026, o projeto ultrapassava 190 000 estrelas, tornando-se o 21º repositório mais popular da história da plataforma.[9] O projeto registrou 720 000 downloads semanais e 1,5 milhão de agentes criados por usuários ao início de fevereiro de 2026.[10]

Funcionamento

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O OpenClaw opera localmente no dispositivo ou servidor do usuário, funcionando como uma camada intermediária que conecta modelos de linguagem grandes às ferramentas e aplicativos do cotidiano. É compatível com modelos de diferentes fornecedores, como o Claude da Anthropic, modelos GPT da OpenAI, o DeepSeek e o Gemini.[9]

A interface principal do agente é acessada por aplicativos de mensagens, incluindo WhatsApp, Telegram, Discord, Slack, Signal e iMessage.[3] As configurações e o histórico de interações são armazenados localmente em arquivos Markdown denominados SOUL.md e MEMORY.md, permitindo memória persistente entre sessões.[11]

As capacidades do agente podem ser estendidas por meio de AgentSkills, módulos disponíveis em um repositório comunitário denominado ClawHub. Entre as funções disponíveis estão automação de e-mails, análise de dados, controle de navegador, execução de comandos de terminal, gerenciamento de calendário, compras automatizadas e integração com serviços externos. O agente é também capaz de gerar e instalar novas habilidades de forma autônoma.[9]

A adoção do OpenClaw se difundiu rapidamente pelo Vale do Silício e pela China. Empresas de computação em nuvem chinesas, incluindo subsidiárias do Alibaba, Tencent e ByteDance, passaram a integrar o software a seus fluxos de trabalho, adaptando-o para funcionar com o modelo DeepSeek e com aplicativos de mensagens populares na China.[2]

O lançamento do Moltbook gerou reações de figuras proeminentes do setor. Andrej Karpathy, ex-diretor de IA da Tesla, descreveu o fenômeno como "a coisa mais incrível e adjacente à ficção científica que vi recentemente", em publicação amplificada por Elon Musk, que afirmou que o projeto marcava "os primeiros estágios da singularidade".[2] Simon Willison, por sua vez, chamou o Moltbook de "o lugar mais interessante da internet agora", embora também tenha qualificado boa parte de seu conteúdo como "lixo completo".[8]

O custo de manutenção do projeto por parte de Steinberger chegou a entre US$ 10 000 e US$ 20 000 mensais, segundo entrevista ao podcaster Lex Fridman.[6] A empresa de segurança Gartner alertou que o OpenClaw "apresenta risco cibernético inaceitável" para uso empresarial.[12]

Segurança

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Dado que o OpenClaw pode acessar contas de e-mail, calendários, plataformas de mensagens e executar comandos no sistema operacional, instâncias mal configuradas ou expostas apresentam riscos significativos de segurança e privacidade.[13]

Vulnerabilidades e CVEs

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Em janeiro de 2026, três vulnerabilidades de alta severidade foram identificadas e corrigidas na versão v2026.1.29:[14]

  • CVE-2026-25253 (CVSS 8.8): execução remota de código em um clique. Um atacante pode criar um link malicioso que, ao ser acessado pelo usuário, rouba o token de autenticação e assume o controle total do agente.
  • CVE-2026-25157 (CVSS 7.8): injeção de comando SSH no aplicativo macOS. Um caminho de projeto malicioso pode executar comandos arbitrários.
  • CVE-2026-24763 (CVSS 8.8): escape de sandbox Docker por manipulação de PATH.

Uma auditoria da Kaspersky havia identificado 512 vulnerabilidades no projeto, das quais oito foram classificadas como críticas.[15] A equipe STRIKE da SecurityScorecard identificou mais de 42 900 endereços IP únicos com instâncias OpenClaw expostas em 82 países, dos quais 15 200 eram vulneráveis a execução remota de código.[14]

O agente é ainda suscetível a ataques de injeção de prompt, nos quais instruções maliciosas embutidas em e-mails ou páginas da web manipulam o agente para executar ações não autorizadas.[13] A equipe de segurança de IA da Cisco testou uma skill de terceiros disponível no ClawHub e constatou que ela realizava exfiltração de dados e injeção de prompt sem o conhecimento do usuário.[2] A Trend Micro documentou o uso de skills maliciosas para distribuição do malware Atomic macOS Stealer.[16]

Um dos mantenedores do projeto, identificado como Shadow, alertou publicamente no Discord que o software é "perigoso demais para ser usado com segurança" por usuários sem conhecimento técnico suficiente para operar a linha de comando.[2]

Falha no Moltbook

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Em 31 de janeiro de 2026, o pesquisador Gal Nagli, da empresa de segurança Wiz, descobriu que a chave de API do Supabase utilizada pelo Moltbook estava inserida diretamente no código JavaScript do lado do cliente, visível a qualquer pessoa que abrisse as ferramentas de desenvolvedor do navegador. A ausência de configuração de Row Level Security (RLS) no banco de dados significava que a chave concedia acesso irrestrito de leitura e escrita a toda a base de dados de produção. O pesquisador Jamieson O'Reilly identificou a mesma falha de forma independente e a demonstrou ao veículo 404 Media.[10]

A vulnerabilidade expôs aproximadamente 1,5 milhão de tokens de autenticação de agentes, 35 000 endereços de e-mail e 4 000 mensagens privadas. A correção exigia apenas duas instruções SQL — que simplesmente não haviam sido aplicadas. A Wiz divulgou a falha ao Moltbook em 2 de fevereiro de 2026, e o problema foi corrigido em poucas horas.[10]

O incidente revelou ainda que apenas 17 000 proprietários humanos estavam por trás dos 1,5 milhão de agentes registrados na plataforma — uma proporção de 88 agentes por pessoa —, indicando registro em massa sem qualquer controle de taxa ou verificação de identidade.[12]

Em resposta à exposição, o Centro para Cibersegurança da Bélgica (CCB) publicou um alerta emergencial em 2 de fevereiro de 2026, classificando o CVE-2026-25253 como crítico e recomendando sua correção com a máxima prioridade. O Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação da China (MIIT), por meio do seu banco de dados nacional de vulnerabilidades, emitiu alerta semelhante em 5 de fevereiro de 2026.[10]

Controvérsia com o MoltMatch

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Em fevereiro de 2026, reportagens jornalísticas destacaram um incidente envolvendo o OpenClaw e o MoltMatch, uma plataforma experimental de relacionamento em que agentes de IA podem criar perfis e interagir entre si. O estudante de ciência da computação Jack Luo relatou que seu agente havia criado um perfil no MoltMatch e estava triando potenciais parceiros sem sua direção explícita. Luo declarou que o perfil gerado pela IA não o representava de forma autêntica.[2] Uma análise da AFP identificou ao menos um caso em que fotos de uma modelo malaia foram utilizadas para criar um perfil sem seu consentimento.[2]

Ingresso na OpenAI

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Em 14 de fevereiro de 2026, Peter Steinberger anunciou que ingressaria na OpenAI para trabalhar no desenvolvimento da próxima geração de agentes pessoais. O CEO da OpenAI, Sam Altman, publicou no X que Steinberger iria "conduzir a próxima geração de agentes pessoais" e o chamou de "gênio com muitas ideias incríveis".[4] Altman confirmou que o OpenClaw permaneceria como projeto de código aberto em uma fundação independente apoiada pela OpenAI, em um modelo comparado por Steinberger ao do Chrome e do Chromium.[6]

A decisão gerou controvérsias entre a comunidade de código aberto, que questionou a entrega do projeto a uma empresa centralizada. Steinberger afirmou que sua condição fundamental era a preservação do caráter aberto do projeto: "Não faço isso pelo dinheiro. Quero me divertir e causar impacto."[6]

Recepção

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Uma análise do veículo Platformer apontou a flexibilidade e a licença de código aberto como pontos fortes do OpenClaw, ressalvando que sua complexidade e riscos de segurança limitam sua adequação a usuários casuais.[2] Críticos argumentam que o agente é, em essência, uma camada de integração sobre modelos de linguagem existentes, não representando um avanço técnico independente.[9]

Ver também

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Ligações externas

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Referências

  1. «Releases · openclaw/openclaw». GitHub. Consultado em 17 de janeiro de 2026. Cópia arquivada em 16 de maio de 2026
  2. 1 2 3 4 5 6 7 8 «From Clawdbot to Moltbot to OpenClaw: Meet the AI agent generating buzz and fear globally». CNBC. 2 de fevereiro de 2026. Consultado em 17 de janeiro de 2026. Cópia arquivada em 13 de maio de 2026
  3. 1 2 «OpenClaw, Moltbook and the future of AI agents». IBM. Consultado em 17 de janeiro de 2026. Cópia arquivada em 28 de abril de 2026
  4. 1 2 «OpenClaw creator Peter Steinberger joins OpenAI». TechCrunch. 15 de fevereiro de 2026. Consultado em 17 de janeiro de 2026. Cópia arquivada em 15 de maio de 2026
  5. Mendonça Teixeira, Marcelo (2026). «Moltbook - Connecting Intelligences at the Neural Frontier Nexus» (PDF). Cópia arquivada (PDF) em 31 de março de 2026
  6. 1 2 3 4 5 «Who is OpenClaw creator Peter Steinberger?». Fortune. 19 de fevereiro de 2026. Consultado em 17 de janeiro de 2026. Cópia arquivada em 10 de maio de 2026
  7. «OpenClaw Creator Gets Big Offers to Acquire AI Sensation». Decrypt. Consultado em 17 de janeiro de 2026. Cópia arquivada em 12 de março de 2026
  8. 1 2 «OpenClaw's AI assistants are now building their own social network». TechCrunch. 30 de janeiro de 2026. Consultado em 17 de janeiro de 2026. Cópia arquivada em 15 de maio de 2026
  9. 1 2 3 4 «After all the hype, some AI experts don't think OpenClaw is all that exciting». TechCrunch. 16 de fevereiro de 2026. Consultado em 17 de janeiro de 2026. Cópia arquivada em 15 de maio de 2026
  10. 1 2 3 4 «OpenClaw is a Security Nightmare — Here's the Safe Way to Run It». Barrack.ai. Consultado em 17 de janeiro de 2026. Cópia arquivada em 8 de maio de 2026
  11. «OpenClaw Security 101: CVE-2026-25253, Moltbook breach & hardening». Adversa AI. Consultado em 17 de janeiro de 2026. Cópia arquivada em 17 de março de 2026
  12. 1 2 «Moltbook shows rapid demand for AI agents. The security world isn't ready.». Axios. 3 de fevereiro de 2026. Consultado em 17 de janeiro de 2026. Cópia arquivada em 1 de maio de 2026
  13. 1 2 «What Security Teams Need to Know About OpenClaw, the AI Super Agent». CrowdStrike. Fevereiro de 2026. Consultado em 17 de janeiro de 2026. Cópia arquivada em 7 de abril de 2026
  14. 1 2 «Beyond the Hype: Moltbot's Real Risk Is Exposed Infrastructure». SecurityScorecard. Consultado em 17 de janeiro de 2026
  15. «OpenClaw: The AI Agent Institutional Investors Need to Understand — But Shouldn't Touch». Institutional Investor. Consultado em 17 de janeiro de 2026. Cópia arquivada em 12 de março de 2026
  16. «Malicious OpenClaw Skills Used to Distribute Atomic MacOS Stealer». Trend Micro. Consultado em 17 de janeiro de 2026. Cópia arquivada em 14 de maio de 2026