Do curso: Como Superar o Assédio no Trabalho

Cuide bem de você

Gostaria de contar uma história. Uma jovem trabalhava como assistente executiva em uma ONG. Tinha acabado de sair da faculdade, e era um emprego normal para alguém na situação dela. Ela cuidava de tarefas administrativas para o presidente e gerenciava o RH. Poucas semanas depois, ela percebeu que estava trabalhando com um assediador. O cara gritava o tempo todo, era supercontrolador com ela e com todos no escritório, subordinados ou não, e atormentava até o presidente. Conforme a organização cresceu, a assistente assumiu um cargo de diretora de RH em período integral. E conforme o assédio moral piorava, lidar com o assediador também se tornou uma tarefa em tempo integral. Muitos membros da equipe buscavam ajuda com a diretora de RH. Eles tinham interações difíceis com o assediador e queriam relatar isso ao RH. Ela sempre falava dessas reclamações ao presidente, mas ele sempre dizia: “Peça a eles que não se incomodem, ele é assim mesmo.” E quando a diretora de RH relatava seus conflitos pessoais com o comportamento de assédio moral, o presidente dizia: “Você precisa agir com maturidade.” Cansada do assédio moral e de tentar proteger a equipe, o trabalho dela foi prejudicado. Ela começou a chegar tarde e a sair mais cedo. Ela se arrastava para o trabalho toda manhã. Aliás, ela tinha um aviso em cima do despertador que dizia “Levante-se!”, como se precisasse de um lembrete para isso. Ela estava deprimida. Seu baixo desempenho ficou nítido e, um dia, o presidente apareceu em seu escritório para descobrir o que estava errado. Como ele evitava conflitos, deixou o assédio moral sair do controle, a ponto de afetar o desempenho da diretora de RH. Ela começou a chorar, disse ao presidente que odiava trabalhar lá e deu aviso prévio de duas semanas. O presidente disse: “Se você está tão insatisfeita, pode sair agora.” Com o rabo entre as pernas, ela – ou melhor, eu, saí. Depois de seis meses, consegui um novo emprego em uma startup de tecnologia, mas, um ano depois, o investidor desistiu. Ficamos sem dinheiro e muitos de nós fomos demitidos. Naquele dia, voltei para casa, peguei meu notebook e criei um site. Me entreguei de corpo e alma, colocando tudo o que sabia sobre assédio moral. Em poucos dias, me declarei consultora de RH dedicada a resolver problemas de assédio moral. Em alguns meses, estava fazendo uma apresentação em uma conferência internacional sobre assédio moral no trabalho. Dentro de um ano, tinha vários clientes, e meu negócio se consolidou. Agora sou especialista em assédio moral com reconhecimento mundial e aqui estou, gravando cursos com o LinkedIn Learning. Escrevi dois livros e atendi empresas da Fortune 500. Compartilho minha história porque quero que saiba que há esperança. Sua história não termina com você sem forças e sem dignidade por causa de um assediador no trabalho. Você vai além do trabalho. Você é melhor do que isso. Mas você tem que se cuidar. Absolutamente ninguém é responsável por suas emoções ou pela forma como tratam você. Se quiser que algo mude, você precisa mudar. Eu não sou a única com uma história de sucesso. Existem muitos de nós mundo afora. A National Workplace Bullying Coalition reuniu alguns casos no livro Stand Up, Speak Out against Workplace Bullying. São testemunhos que podem ajudar você a enxergar que, se começar a agir, você vai sobreviver. Cuide bem de você!

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